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Mercador Celeborn

Serelith  Guad’sHein

Comunidade Goblins

Mercador Celeborn

Celeborn não nascera em palácios, nem sob presságios grandiosos, nem cercado por expectativas de poder. Ele nasceu no cheiro denso do lodo, sob o canto constante de insetos noturnos e o borbulhar silencioso das águas escuras de Grimzruk Hollow, a vasta região pantanosa localizada no oeste interior de Terra Rara — um lugar onde o chão nunca era totalmente firme, e onde apenas aqueles que compreendiam seus segredos conseguiam sobreviver. Ali vivia o seu povo. Os goblins mercadores.


Diferente da visão simplista que muitos povos tinham sobre eles, os goblins de Grimzruk não eram apenas criaturas pequenas e astutas — eram uma sociedade inteira moldada pelo comércio, pela troca e pela sobrevivência inteligente. Não construíam impérios, não erguiam tronos, não buscavam domínio. Eles negociavam. Sempre negociavam. Era assim que prosperavam.


Enquanto os mais velhos e as crianças permaneciam na vila — guardiões da tradição e da continuidade —, os jovens e adultos partiam pelo mundo, carregando consigo sacolas, frascos, artefatos e histórias. Eram viajantes constantes. Intermediários entre povos. Observadores atentos das fraquezas alheias… e das oportunidades.


Mas Celeborn nunca foi apenas mais um deles.


Desde cedo, havia algo… diferente.


Fisicamente, ele já chamava atenção. Pequeno mesmo para os padrões goblins, seu corpo era leve, ágil, quase feito para escapar antes mesmo de ser notado. Sua pele tinha um tom pálido-esverdeado, marcado por sutis manchas que lembravam o ambiente úmido em que crescera. Seus olhos, porém, eram o que mais impressionavam — grandes, intensamente verdes, brilhando com uma vivacidade quase inquietante, como se estivessem sempre processando algo, sempre calculando, sempre… imaginando.


Havia inteligência ali. Mas não uma inteligência comum.


Seus traços carregavam uma mistura curiosa de malícia e encanto. Seu sorriso, levemente torto, nunca era totalmente confiável — mas também nunca era completamente ameaçador. Era o tipo de expressão que fazia os outros hesitarem: “devo confiar… ou devo desconfiar ainda mais?”


Vestia-se com camadas de roupas gastas, porém funcionais. Um grande chapéu curvado repousava sobre sua cabeça, adornado com um pequeno cristal luminoso que pulsava com energia suave. Seu manto, largo e pesado, escondia muito mais do que parecia — e ele fazia questão de mostrar isso.


Quando abria o tecido, revelava seu verdadeiro tesouro.

Frascos.

Dezenas deles.

Poções de cores vibrantes — verdes, azuis, douradas, vermelhas — todas organizadas em suportes improvisados, presas por cordas, metais e pequenas engenhocas. Algumas brilhavam suavemente. Outras borbulhavam. Outras pareciam completamente inofensivas… até não serem.


Aquilo não era apenas mercadoria.


Era criação.


Era invenção.


Era identidade.


Porque Celeborn não queria apenas negociar.


Ele queria ir além.


Enquanto outros goblins seguiam o fluxo natural das trocas — comprando, vendendo, adaptando —, Celeborn via possibilidades onde ninguém mais via. Ele não aceitava apenas o mundo como ele era. Ele queria… modificar o jogo.


E foi isso que o levou a fazer algo que nenhum de seu povo jamais ousara fazer.


Negociar com os elfos.


Os elfos, especialmente os do leste, eram conhecidos por sua magia refinada, pura, controlada — e extremamente difícil de ser manipulada fora de seus próprios rituais. Entre suas habilidades, estava a capacidade de gerar cura imediata, canalizando energia vital diretamente no corpo ferido.


Não existiam frascos.


Não existiam poções engarrafadas.


Era um dom aplicado no momento.


E, para Celeborn… isso era um desperdício de potencial.


Durante uma de suas viagens, ele encenou.


Criou uma ferida em si mesmo — precisa, controlada, convincente. Aproximou-se dos elfos não como um mercador… mas como alguém em necessidade. Ofereceu trocas, pequenas peças, moedas, curiosidades. O suficiente para parecer legítimo.


E quando a cura foi aplicada…


Ele fez o impossível.


Com uma engenhoca improvisada — uma mistura de recipiente rúnico, cristal de condução e pura genialidade improvisada —, ele conseguiu capturar o fluxo da magia de cura no exato momento em que ela era liberada.


Os elfos não perceberam.


Nem poderiam.


Porque ninguém imaginaria que algo assim fosse possível.


Mas Celeborn não apenas capturou aquela magia…


Ele a estudou. Ele a replicou. Ele a adaptou.


De volta a Grimzruk Hollow, mergulhado em experimentos, tentativas falhas e sucessos perigosos, ele conseguiu criar algo inédito em Terra Rara:


Poções de cura engarrafadas.


Não perfeitas como a magia original.


Mas reais. Funcionais. Vendáveis. E, acima de tudo… revolucionárias.

A partir daquele momento, Celeborn deixou de ser apenas um goblin mercador.


Ele se tornou algo novo. Um inventor. Um visionário. Um trapaceiro genial. O único de seu povo capaz de não apenas trocar o mundo…


Mas alterar suas regras. Hoje, ele viaja por todas as regiões de Terra Rara, carregando consigo suas criações, seus segredos e seu sorriso desconfiado. Alguns o veem como um gênio. Outros como um perigo. Outros ainda como alguém que, cedo ou tarde, ultrapassará limites que não deveriam ser tocados.


Mas Celeborn não se preocupa com isso.


Porque, para ele, o mundo não pertence aos mais fortes…


Nem aos mais nobres…


Nem aos mais puros.


O mundo pertence àqueles que conseguem enxergar o que ninguém mais vê…


E transformar isso em algo que todos desejam ter. E nisso…

Celeborn é imbatível.

Áudio Narrativo

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