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Bromdrak

Serelith  Guad’sHein

Forgehand

Bromdrak Forgehand


O aço gritava dentro das forjas profundas de Grimvald Forge Isles, e aquele som não era apenas o eco do martelo contra o metal — era linguagem, era memória, era julgamento. Para os anões, o aço sempre falava, e naquele dia ele gritava mais alto do que o normal, como se reagisse à força brutal que o moldava. O martelo descia com precisão e violência controlada nas mãos de Bromdrak Forgehand, cada impacto carregado não apenas de técnica, mas de algo mais denso… algo pessoal. Faíscas explodiam ao redor como estrelas efêmeras, refletindo em seus olhos duros e atentos, enquanto sua figura dominava o ambiente com uma presença quase imovível. Baixo, como todos de sua raça, mas largo como uma muralha, com braços espessos moldados por anos de forja, Bromdrak carregava o peso físico e simbólico de sua linhagem. Sua barba densa, em tons de cobre queimado, descia em tranças presas por anéis metálicos — cada um representando uma conquista, uma arma criada, um momento gravado na história de sua família. Seus olhos, profundamente marcados pela disciplina e pelo fogo das fornalhas, carregavam uma irritação constante, uma inquietação silenciosa… e uma obsessão que crescia dia após dia.


Filho de Alistar Forgehand, o atual líder de sua casa, e de Nyara Forgehand, uma das mais respeitadas guardiãs das tradições anãs de Grimvald, Bromdrak crescera sob o peso de um legado que não permitia falhas. Em uma família numerosa, com oito irmãos mais novos, ele não era apenas o primogênito — era o pilar, o exemplo, o futuro inevitável. Entre os anões, a família não era apenas importante; era sagrada. E os Forgehand eram mais do que uma família comum — eram a mais antiga linhagem da ilha, aqueles que primeiro se estabeleceram ali quando perceberam que Grimvald escondia riquezas que nenhuma outra terra possuía. A ilha, cercada por mares gelados e dominada por um vulcão colossal, era um contraste vivo entre o frio cortante da superfície e o calor incandescente de suas profundezas. Acima, ventos congelantes e paisagens austeras; abaixo, um mundo três vezes maior, repleto de minas de ouro, ferro, carvão e metais raros, corredores intermináveis e câmaras ocultas onde o calor do magma tornava possível a criação de armas que desafiavam a própria lógica da matéria. Apenas um metal não existia ali: o obsidian. Todo o resto… eles dominavam.


Era por isso que os anões de Grimvald eram respeitados — e temidos. Em toda Terra Rara, não havia povo capaz de rivalizar com sua habilidade de forja. Eram conhecidos como criadores de armas divinas, aqueles que transformavam minério bruto em artefatos capazes de decidir guerras. E justamente por isso, eram neutros. Nenhum reino ousava atacá-los, pois sabiam que destruir os Forgehand e os seus significaria condenar o próprio futuro militar. Quando conflitos surgiam, e eles sempre surgiam, os anões não escolhiam lados. Permaneciam como fornecedores, como observadores… como aqueles que moldavam o poder sem se submeter a ele.


Mas havia algo que transcendia até mesmo essa reputação.


Uma lenda.


Uma arma.


Insiguinux.


Durante gerações, acreditou-se que os Forgehand haviam criado a arma suprema de Terra Rara, um artefato cuja forma desafiava qualquer classificação — não era apenas um martelo, nem um machado, nem um cajado, mas uma fusão de tudo isso, com extremidades vivas, como se a essência de um dragão tivesse sido aprisionada e moldada em forma de poder absoluto. Muitos acreditavam que aquela arma era a prova máxima da supremacia dos anões. E os Forgehand… nunca confirmaram. Mas também nunca negaram.



A verdade, no entanto, era mais antiga.


Mais perigosa.


E agora… pertencia a Bromdrak.


Muito antes de sua geração, quando os primeiros Forgehand desceram às profundezas do vulcão em busca de novos veios de metal, eles encontraram algo que não deveria estar ali: uma cripta, selada, esquecida, escondida além do alcance de qualquer mapa. E dentro dela… duas peças. Não armas completas, mas fragmentos de algo maior. A cabeça — uma estrutura em forma de dragão, envolta em energia azul viva, pulsante, quase consciente — e a base cristalina, dourada, irradiando calor e estabilidade. Aquilo não havia sido criado por mãos anãs. Era anterior. Antigo demais. Poderoso demais.


O que os Forgehand fizeram não foi criar a Insiguinux.


Eles a completaram.


Forjaram o cabo.


Criaram o elo.


Construíram a única estrutura capaz de unir aquelas duas forças sem que o mundo ao redor fosse destruído.


E então esconderam a verdade.


Porque alguns segredos não devem ser compartilhados.


Devem ser protegidos.


Ou esquecidos.


Mas a Insiguinux desapareceu.

Áudio Narrativo

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